Monday, September 5, 2011

XXI

Medo
Palavra escrita nas entrelinhas,
De diálogos ensaiados por estranhos desconhecidos.
Escuridão de ignorância
Banhada em ouro derretido pela podridão.

Medo
Sentimento negro de aventura
No breu de uma estrada coberta pela noite.
Terríveis grunhidos de loucura,
Rodeados por árvores caducas de maldição.

Medo
Incertezas de amanhãs
Emergidos em lama visceral.
Gritos de morte,
Sob silêncios assolados por um nada temeroso.

Medo
Carnívoras intenções
Auto-flageladas por desejos nervosos.
Escondidos do mais simples olhar,
Em segredos restritos de violações.

Medo
Amor descoberto
Por uma entrega divinal.
Racionalidades fictícias de certezas incoerentes,
Perdidas em ansiedades de desejos mortais.

Medo
Do futuro, do passado,
De um presente de felicidade.
Receio pelo belo, pela verdade,
Apreensão de amar, apreensão de errar.

Medo
Palavra que nada faz,
Que existe e apenas o é.
Sentimento bloqueador, por entre amarras de calor,
Cuja dor de nada vale, de nada é.

Thursday, November 25, 2010

XX

Imagem apagada, de um caminho deserto,
Ancestrais pegadas, perdidas no vento.
Espaços vazios. Nada.

Realidade imaginária, nunca questionada,
Sopros de silêncio, pela noite abafados.
Viagens por partir. Nada.

Cidades escuras, de idiomas ausentes,
Carentes ruínas, ainda por escrever.
Tempos perdidos. Nada.

Sonetos antigos, sem palavras, nem verbo
Desenhos gastos, por livros encobertos.
Sonhos esquecidos. Nada.

Mortes insípidas, vazias de dor,
Vidas corridas, cegas por amor.
Histórias em branco. Nada.

Nomes deixados, algures no horizonte,
Passados vencidos, derrotas sem sabor.
Saberes desleixados. Nada.

Cansaço eterno, por saúdes prometidas,
Mentes adormecidas, sem onda, nem valor.
Projectos parados. Nada.

Esperança contínua, sem sentido de razão,
Preces ouvidas, sem pedido, ou decisão.
Águas retraídas. Nada.

Tudo, em um todo, apenas,
Paradoxos eloquentes, de parágrafos roubados.
Poemas iletrados. Nada.

Certezas antes vistas, no incerto do destino,
Runas indecisas, por um fado caótico.
Letras encobertas. Nada.

Sentimentos guardados, na ânsia do porvir,
Futuros inesperados, no limite de desistir.
Corações partidos. Nada.

Doces Novembros, há muito vividos,
Nunca esquecidos, hoje partilhados.
Amor por viver. Dias por receber.
Nada, é tão simples.
Nada, que tudo é. Tudo.

Sunday, November 15, 2009

XIX

Guardo em mim, segredos,
Revelados sob o teu olhar,
Certezas de um significado
Impossível de aceitar.

Palavras indiscretas,
Sem um fundo de verdade
Mesmo em mentes abertas,
Soam como erradas consequências
Sem sentido, nem idade.

Guardo em mim, segredos,
Proibidos entre nós,
Caminhos já confirmados
Por uma distância atroz.

Calo em mim, vozes,
Repetidas em protesto
Impedidas de ouvir
Sentimentos certos

Guardamos nós, segredos,
Entre dias, horas, momentos,
Silêncios eternos daquilo que escondemos:
Duas palavras, um segredo
Uma incerta constante,
Deste ténue caminho
Assim, por nós escolhido.

Guardo em mim, segredos,
Por ti, já revelados.
Guardamos nós, incertezas,
Improváveis de se desvendar
Se apenas sob o teu olhar
Guardamos nós, assim,
Um momento, um dia, uma hora
Que ainda está por passar.

Guardamos nós, segredos.

Saturday, March 21, 2009

XVIII

Letras, palavras
Elementos de um todo
De infinitos sentidos
Libertos de penosos destinos.

Fados de sentimentos,
Líricas de dor,
Fingimentos de realidades,
De tão desejadas, a nunca vividas.

O lirismo, o poder do verso,
Da palavra, do lápis, do papel
A métrica, a harmonia,
Tão diferente da prosa, mas tão interligada...

Parágrafos, frases, linhas
Elementos verticais
Presos sobre a horizontalidade
Da sua própria existência.

Dom do canto, da expressão,
do romance, dos sentimentos
Versos soltos de uma vida
de um todo, de um mundo.

Nada é mais fácil, que a existência de um poeta
Que o exprimir das reacções que orientam o seu dia.
Nada é tão simples, nada é tão difícil
Vertical, horizontal, isto não é poesia
Isto é nada, e é tudo

Poesia é vida, é a lírica do ser
Poesia é viva, é o pulsar do saber
Isto não é poesia.

Sunday, February 22, 2009

XVII

Não me apraz ir a lugar nenhum,
Pois em lugar nenhum te encontras.
As regras que assim me prendem,
Estabelecidas por ti,
Forçam a minha ausência
Do único destino que desejo seguir.

Palavras que as guardo em diários por escrever,
Carregadas de sentenças que o tempo transforma em interrogações
Ocupam-me os pensamentos de meios-dias perdidos,
Esquecidos no tédio do volver das horas,
Interminável, como o teu legado.

Encontro-me por ora exausto,
Cansado como quem desperta de uma longa existência dormente
De mente estafada, governada pelo conflito.
Ansiedade e receio por aquilo que aguarda
O malogrado momento,
Daquele que não desejo que seja mais um triste fado
Do contínuo caminho cinzento, de indústria desinspirada.

Aguardo por um veredicto,
Como réu inocente incapaz de fugir à culpa da acusação.
Os meus quereres, os meus desejos, as minhas vontades,
De nada valem nesta hora dispensável,
Pois de nada vale ponderar na alternativa, quando a decisão já há muito foi tomada.

Aguardo na ignorância,
não é ela, a felicidade?
Ignorância, autoimposta,
dos lugares comuns que a experiência fornece.
Apesar disso, ignorância, apenas e só.

Desejo ver-te, desejo falar-te
Desejo encontrar-te
Enfim, desejo-te
Mas pensar além das fantasias do inconsciente,
destrói-me pela ciência de tudo o que é real.

Que posso fazer se não aguardar.
Aguardar o regresso das tuas palavras,
O reencontro das tuas feições.
Seja qual for o ditado final,
A réstia da esperança deste ser exausto,
Descansa apenas na espera do acordo...
Não, da promessa, arquivada num tempo e num lugar,
Que embora reviva a cada momento,
Não desejo recordar.

Não me apraz ir a lugar algum,

Pois em lugar algum te encontro.

Thursday, November 20, 2008

XVI

É tudo tão previsível,
Meras equações decifráveis,
Números, letras e sinais
Conjugados no mesmo resultado

É tudo tão previsível,
Provérbios e oráculos,
De dias e noites,
Em sequências inquebráveis.

É tudo tão previsível,
Sem desafio, sem vantagem,
Derrotas de vitórias
Nunca e sempre conquistadas

É tudo tão previsível,
Palavras descodificadas
De cifras por esconder
Perdidas em algum código

É tudo tão previsível
Definições, terminologias,
Hipóteses e conclusões
Sempre com o mesmo fim

É tudo tão previsível

Sunday, April 6, 2008

XV

Chamas cobrem o corredor,
O calor intenso ofusca as paredes
Um brilho belo e mortal
Apaga a inocência de um local
Em tempos seguro, privado do mal encandescente

Tecto de labaredas,
Que o próprio fumo se desvanece
Não há água que extinga,
A potência de tão malvado ser

Vermelho, laranja, amarelo
Ao fundo uma luz branca
Não de morte, mas mortal
Não de paraíso, mas de calor

Lâminas brilhantes de luz,
Acariciam, acalmam
Quase apetece adormecer
No seu abraço quente e seguro

A sedução do corredor,
Bem perto do fim
Desfeixa numa avalanche de medo
O quente cobertor,
Encerra-se numa beleza de cores

Alheio a quaisquer gritos de dor
Vence o silêncio, o corredor

Thursday, February 21, 2008

XIV

Máscaras, todos as usamos
Faces feridas encobertas
Desgostos disfarçados de sorrisos
Mentiras perdidas em desenhos

Carnavais das nossas vidas,
Dias extras que não vivemos,
Tudo escondido por detrás,
De todo um emaranhado que se desfaz

Frases não ditas, por ditas
Palavras malditas
Máscaras de ódio pelo amor,
Máscaras de amor pelo ódio

Todos as usamos, todos as dizemos
Poucos de nós pensamos,
Poucos de nós fazemos,
Mas todos escondemos

Máscaras de felicidade triste,
A infelicidade alegre do nosso ser
Pedidos de esperança,
De falsos olhares e dizeres

Máscaras de gestos
Velhos, novos,
Ternos, eternos
Máscaras do nada, que todos somos

Máscaras

Sunday, January 6, 2008

XIII

Sinto-me longe,
Foi tudo um sonho?
Um passado perdido, de um real ilusório

Terá sido verdade?
O que aconteceu,
Se foi real, porque não é recordado

Memórias, fragmentos
Imagens, sequências perdidas
Inacabadas

Motivos perdidos, nada
Nada, não foi nada
Porque está tudo tão longe

Para onde foi,
O que em tempos foi real,
Ou nunca o chegou a ser

Para onde ir, depois,
Se o passado se apaga,
Se o passado não existe

Para onde ir?

Saturday, November 17, 2007

XII

O que foste para mim?
Nada mais que a ilusão
De um dia de sol, que nunca nasceu.

O que és para mim?
O fantasma de alguém
Que em tempos conheci

Quem foste para mim?
Ninguém, além da pessoa
Que te iludes ser

Quem és para mim?
Apenas alguém, que o caminho,
Não me soube dizer

Quando foste para mim?
Nunca, é a resposta
Que temia ouvir

Quando és para mim?
Vazio de respostas
É o que espero de ti

Porque foste para mim?
Sim, não ou talvez
Nada te justifica, nada fala por ti

Porque és para mim?
Porque nunca o foste,
Nem nunca o serás

Como foste para mim?
Como não te imaginei ver,
Como alguém não tinha sido

Como és para mim?
Igual ao passado,
Presente do teu Eu, que perdeste em mim

Elementos esquecidos de um futuro incerto,
Passado insignificante e indolor
Presente perdido, jamais recuperado
Tudo foste e nada és
O que serás? Não o sei

by Ortónimo

Friday, July 27, 2007

I

Estou perdido
Perdido na ânsia do teu ser
Perdido no momento de te ver
Estou perdido

De que vale sentir
Após te ver partir
Mas quem parte,
Sou Eu

Estou Perdido
Sem Norte, Nem Sul
Sem lugar para estar
Para viver, para te amar

Estou Perdido
Num céu sem Terra
Sem nuvens, sem ar
Sem saber onde te procurar

Estou Perdido
Perdido por algo
Algo, que não se encontra

Duvido da sua existência
Enquanto me perco
Estou Perdido
Afastado da minha própria existência

Estou Perdido

by NoSense (21 de Junho de 2007)

XI

Titulo Original: Estarei Vivo?

Será a vida nada mais do que um céu? Um Inferno?

Uma estranha espécie de limbo?
Não respiro, não sinto, o meu coração não bate.
Estarei morto?
Se a morte é pensar, falar e agir, o que é viver?
Nada sei, pois não sei responder a esta pergunta.

A vida é uma música que não podemos ensaiar,
mas se não sei sobre o que cantar,
como vou viver?

Se a vida é um palco e somos todos artistas,
estarei morto por não saber actuar?

Se a morte é como a vida, como sei onde estou, ou o que sou?
Porquê o medo? Porquê o desconhecido?
Se o desconhecido é aquilo que se conhece,
como continuará a ser desconhecido?

Nada é nada, e tudo é tudo,
mas e se tudo for nada, e nada for tudo?
O que acontece?

O meu concerto vai a meio,
e uma corda da minha guitarra se parte,
tenho que cantar mas nada sai da minha voz.
É isto viver? É isto morrer?
Há alguma diferença?

Se não vivesse onde estava?

Se não morresse onde estava?

Se...?

by NoSense (20 de Abril de 2007)

X

Sem Título

Agora durmo,

Numa imensidão do teu antes,
Daquilo que nunca foi
De ti que nunca serás

Agora durmo,
Perdido num limbo de nada
Nas memórias de algo
Que não existe, nem existiu

Agora durmo,
Pensamentos de porquês
Perdidos no seu tempo
Escondidos para sempre de ti

Agora durmo,
Porque não me deixaste acordar

by NoSense (3 de Dezembro de 2006)

IX

Título Original: O Futuro

Nevoeiro encoberto
Longínquo Fervor
Nada para temer
Nenhum medo para ter

Futuro, palavra indistinta
Sem sentido ou vontade
Perfeita desnecessidade
De uma missão extinta

Longitude horizontal
Cá num canto de Portugal
Olhos de Europa perdida
Futuro incerto de uma morte desmedida

Futuro deste ou daquele
De mim ou de ninguém
Que adianta procurar nele,
A inexistência de alguém?

Futuro, palavra maldita
Sol de inverno porvir
Primavera daquela que foi bem dita
Sem rumo ou direcção de onde partir

Futuro, procura-te
Quer-te e tem-te
E não há nada a fazer
Apenas nada a temer.

de NoSense (10 de Março de 2006)

VIII

Título Original: Olha-me nos olhos

Olha-me nos olhos

Vê aquilo que te quero dizer
Não procures nas entrelinhas
Daquilo que costumo fazer

Olha-me nos olhos
Vê aquilo que sinto
Penetra no meu âmago
Procura a minha inocência

Olha-me nos olhos
Diz-me o que vês
Não negues aquilo que já sabes
Diz-lo de vez

Olha-me nos olhos
Dilacera-os se necessário
Procura lá dentro
O teu e único presságio

Olha-me nos olhos
Já encontras-te a resposta
Agora diz-la
Transforma-a nas tuas palavras

Elas não magoam
Quando servem para salvar
Tu sabes qual é a sua verdadeira função
Agora segue o teu coração

Olha-me nos olhos
Diz-mo sem exitação

de BlueDove (15 de Janeiro de 2006)